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55 |⭐️| O Fim da Guerra

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  Os ca?adores finalmente chegaram. A tens?o no ar era quase sufocante. Os lobos estavam em silêncio, observando o horizonte enquanto a poeira se erguia com os passos pesados do exército inimigo. Mesmo assim, havia um alívio sutil nos olhos de alguns — Samuel estava ali.

  A alcateia n?o estava sozinha. Outros haviam chegado, entre eles o Alfa e a Alfa Selara, que se postavam à frente, vigilantes. O olhar do Alfa estava frio, calculista. Já Selara mantinha-se firme, mas havia uma hesita??o nela, uma dúvida que n?o podia esconder.

  à distancia, um exército de ca?adores se alinhava como sombras vivas, imóveis diante da entrada da fortaleza. Eles eram muitos, mas n?o atacavam ainda. Samuel sabia o porquê.

  — Você tem certeza do que está fazendo, Samuel? — perguntou a Alfa Selara, sua voz carregada de preocupa??o.

  Samuel apenas assentiu, sem desviar o olhar dos ca?adores.

  Deu um passo à frente, mas antes que pudesse seguir, sentiu um pux?o leve em sua roupa. Olhou para baixo e viu Alex. O filhote o encarava com seus grandes olhos brilhantes.

  — Eu acredito em você, pai...

  Por um instante, o peso da guerra se dissipou. Samuel sorriu suavemente e pousou a m?o sobre a cabe?a de Alex.

  — Obrigado, meu filhote.

  Acariciou sua pelagem com um gesto carinhoso e depois indicou com a cabe?a.

  — Agora vá. Fique perto do Alfa.

  Alex hesitou, mas obedeceu, correndo de volta para a linha de defesa.

  Samuel continuou sua caminhada. Cada passo parecia ecoar no silêncio. Quando parou diante dos ca?adores, sentiu os olhares pesados sobre si. Eram rostos marcados pela fadiga, corpos exaustos e cora??es consumidos pelo ódio e pela desesperan?a. Alguns tremiam. Outros pareciam vazios.

  Um homem deu um passo à frente. Seu uniforme estava sujo de sangue seco e sua express?o n?o demonstrava fúria — apenas um cansa?o absoluto. Sua voz era sem vida.

  — Ent?o você é o herói dos lobos?

  Samuel permaneceu calado.

  — N?o me parece grande coisa — continuou o comandante. — Sabe, por que se rebaixar tanto? Você poderia ter riqueza, poder, até mesmo uma família entre nós. Mas n?o. Você escolheu esses... seres.

  Havia algo quebrado em sua voz. Um desespero oculto sob palavras de rancor.

  — Tudo estava indo bem até você aparecer. Nós íamos vencer. O sofrimento acabaria. Mas por sua causa... fomos punidos. Cada derrota nossa foi paga com sangue.

  Seus olhos ficaram mais escuros, sua voz tornou-se um rugido de fúria.

  — Mas hoje isso acaba. Hoje vocês sentir?o o mesmo sofrimento que sentimos. Tudo o que construíram será reduzido a cinzas!

  Ele ergueu o punho e gritou, sua voz ecoando entre os ca?adores.

  — TODOS VOCêS V?O PAGAR PELOS NOSSOS FILHOS!

  Samuel n?o se moveu.

  Um outro comandante, parado mais atrás, murmurou para um subordinado.

  — Solte ele.

  Houve um movimento dentro das fileiras dos ca?adores. Como uma onda, eles se abriram, criando um corredor. No fim dele, uma jaula.

  O ar pareceu congelar.

  Dentro da jaula, uma figura se encolhia. Um homem. Sua pele estava queimada em vários pontos, sua respira??o era irregular, e uma aura negra oscilava ao seu redor. Ele tremia e chorava, como se sua própria existência fosse um tormento.

  A gaiola se abriu com um rangido metálico.

  Lentamente, o ca?ador saiu. Seus olhos, tomados pela dor, encontraram Samuel. E, naquele instante, tudo que restava em sua mente era um único instinto.

  Matar.

  Ele avan?ou como um raio.

  As chamas explodiram de seu corpo. O calor do fogo distorcia o ar ao seu redor, criando uma tempestade de chamas vivas. Seus gritos eram uma mistura de dor e fúria, mas ele n?o hesitou.

  Samuel continuou imóvel.

  E ent?o, uma voz.

  — Chataya?!

  O tempo pareceu parar.

  O ca?ador congelou no meio de seu ataque. Suas chamas tremularam, hesitantes. Sua respira??o se tornou um sussurro entrecortado.

  Rhydan deu um passo à frente.

  — Eu sei que ainda está aí... — sua voz era carregada de emo??o. — Sou eu, Rhydan.

  O fogo ao redor do ca?ador oscilou, como se algo dentro dele tivesse se partido.

  Rhydan se aproximou mais.

  — Eu nunca deveria ter deixado que te levassem. Nunca.

  Aos poucos, seus olhos marejavam.

  — Me lembro do dia em que te vi pela primeira vez... olhei nos seus olhos e soube. Eu soube que havia algo especial em você.

  O fogo de Chataya tremulava mais.

  — Sua voz... t?o doce e suave... me fez sentir algo que nunca havia sentido antes. Eu sabia, naquele momento, que havia encontrado o amor da minha vida.

  Rhydan sorriu com tristeza.

  — Passamos tantas noites juntos, mesmo sabendo que seríamos punidos. Mas eu nunca me arrependi. Porque ao seu lado, eu vivi.

  Ele deu mais um passo. Agora estava t?o perto que sentia o calor das chamas queimando sua pele. Mas n?o recuou.

  — Você n?o quer isso, Chataya. Eu sei que n?o.

  O fogo vacilava, mas ainda estava lá.

  Rhydan fechou os olhos e, ignorando a dor, aproximou-se ainda mais.

  Ele encostou seus lábios na testa do ca?ador, mesmo enquanto sua pele ardia com o calor.

  — Eu te amo, Chataya.

  E ent?o, lágrimas escorreram pelo rosto do ca?ador.

  A aura negra se dissipou. As chamas morreram.

  E, com um último suspiro, uma voz fraca ecoou.

  — Eu também te amo, Rhydan... Obrigada...

  O corpo do ca?ador tombou para frente, Rhydan o segurou antes que ele caísse no ch?o.

  O silêncio tomou conta do campo.

  Todos observavam, at?nitos. O exército de ca?adores, que antes gritava por sangue, agora permanecia mudo. Algo havia mudado.

  Samuel observou tudo sem dizer nada. Mas no fundo, ele sabia.

  A guerra n?o seria vencida com armas.

  Mas com esperan?a.

  Samuel quebrou o silêncio com uma voz firme, carregada de uma convic??o que ecoou por todo o campo.

  — Essa guerra acaba aqui. Sem mais mortes. Sem mais sofrimento. Sem mais dor.

  As palavras pairaram no ar, ressoando tanto entre os lobos quanto entre os ca?adores. Todos escutavam atentamente, como se, pela primeira vez, alguém estivesse dizendo aquilo que eles sempre desejaram ouvir.

  — Ninguém quer mais lutar. — A voz de Samuel era forte, mas n?o agressiva. Ela trazia um peso que ninguém ali podia ignorar. — Durante tempo demais, fizeram vocês acreditar que essa guerra era necessária, que n?o havia outro caminho. Mas olhem ao redor! Quantos de vocês já perderam aqueles que amam? Quantos viram seus filhos serem arrancados de seus bra?os? Quantos perderam esposas, maridos, irm?os e irm?s? Tudo por uma causa que nunca foi realmente nossa?

  Os olhos dos ca?adores tremularam. Por um instante, suas express?es vazias se quebraram, revelando a dor profunda que carregavam.

  — Ainda há esperan?a. — Samuel continuou, sua voz agora mais serena, mas igualmente poderosa. — Ainda existe uma luz que nos guia em meio à escurid?o. Mas essa luz só pode brilhar se tivermos coragem de olhar para ela.

  O vento soprou forte entre as árvores, como se o próprio mundo estivesse respondendo às palavras de Samuel. Os lobos se mantinham em silêncio, observando, esperando. Eles sabiam que este era o momento decisivo.

  Samuel deu um passo à frente, encarando os ca?adores sem medo.

  — Está na hora de acabar com isso. N?o por mim. N?o por um lado ou pelo outro. Mas por todos aqueles que já se foram. Pelos que ainda vivem. Por aqueles que merecem um futuro sem guerra.

  Os ca?adores trocaram olhares entre si, incertos, mas profundamente abalados.

  — O verdadeiro inimigo n?o está diante de vocês. — Samuel ergueu o queixo, encarando cada um deles. — O verdadeiro inimigo é aquele que os colocou nessa posi??o. O líder de vocês. Ele manipulou, destruiu e escravizou. Ele os usou como pe?es em um jogo que só serve a ele.

  Um murmúrio correu entre os ca?adores. Eles já sabiam disso. No fundo, sempre souberam. Mas jamais tiveram coragem de admitir.

  Ent?o, algo inesperado aconteceu.

  Do meio da multid?o, uma figura se destacou. Uma ca?adora deu um passo à frente, caminhando lentamente até parar ao lado de Samuel. Seu rosto era familiar. A mesma ca?adora que ele havia salvado da morte.

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  Ela olhou para seus antigos companheiros e ent?o, com a voz firme, declarou:

  — Ele está certo. O culpado nunca fomos nós. — Seu olhar percorreu os rostos conhecidos, alguns marcados pela dor, outros pela dúvida. — Fomos enganados, manipulados e usados como ferramentas de destrui??o. Mas chega! Foi por causa daquele desgra?ado que tantos aqui perderam tudo.

  Ela apertou os punhos, e sua voz tremeu com a intensidade de sua indigna??o.

  — Eu estive à beira da morte. E sabem quem me salvou? Ele. — Apontou para Samuel. — Um humano, aquele que deveríamos considerar inimigo. Ele me deu uma segunda chance. E agora, ele está nos dando outra.

  O impacto de suas palavras foi imediato. Um ca?ador, ent?o outro, e mais outro deram um passo adiante. Aos poucos, hesitantes no início, mas depois decididos, come?aram a caminhar até Samuel.

  Os lobos prenderam a respira??o, observando o impossível acontecer diante de seus olhos.

  Um a um, os ca?adores abandonaram suas armas, se juntando ao homem que, um dia, haviam sido instruídos a matar.

  A guerra estava prestes a ter um fim. N?o pelo sangue.

  Mas pela esperan?a.

  Os lobos e os ca?adores, que antes eram inimigos mortais, agora marchavam lado a lado. O ch?o tremia sob seus passos unificados, e o vento carregava consigo o peso de um novo destino. Eles avan?avam rumo ao Palácio, uma fortaleza imponente que simbolizava anos de opress?o e dor.

  Quando chegaram diante das enormes muralhas, os guardas, armados e prontos para atacar, ergueram suas armas em alerta. Mas algo inesperado aconteceu.

  Ao verem os ca?adores e os lobos unidos, seus olhos brilharam. Um lampejo de esperan?a cruzou seus rostos endurecidos pela guerra. Por um instante, o medo e a lealdade ao tirano vacilaram, e eles hesitaram.

  Ent?o, sem uma única palavra, os port?es se abriram.

  Mas ninguém ousou entrar.

  Exceto Samuel.

  Seu caminhar era firme e decidido. O silêncio do Palácio era quase opressor, como se as paredes sussurrassem os ecos de todas as atrocidades cometidas naquele lugar. Seu olhar cortava o ambiente com uma frieza inabalável, pois ele sabia que aquele era o momento final, o encerramento de uma guerra que ceifara incontáveis vidas.

  Finalmente, ele chegou ao grande sal?o do trono.

  No centro da imensa sala, sentado em um trono luxuoso, o líder o aguardava. Sua express?o trazia um sorriso insolente, como se tudo aquilo fosse apenas um jogo para ele.

  — Samuel. — Sua voz era carregada de desdém. — Um humano com poderes... n?o é algo que se vê todos os dias, você acredita?

  Ele se acomodou no trono, cruzando os dedos diante do rosto.

  — Em centenas de anos, nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Me pergunto como é ser agraciado com tal dom. Bom, pelo menos eu n?o sou o único a possuir uma bên??o, n?o é mesmo?

  Ele inclinou a cabe?a, sua express?o carregada de falsa compaix?o.

  — Eu consigo ler seus pensamentos, seus medos, suas fraquezas. Eu te conhe?o muito bem, Samuel. Somos mais parecidos do que você imagina.

  Samuel permaneceu imóvel, seus olhos frios como gelo.

  — Você fala muita merda, sabia? Principalmente para alguém que se considera "aben?oado" com algum dom. — Sua voz era firme, cortante. — Diferente de você, eu n?o minto sobre quem realmente sou.

  O sorriso do líder vacilou por um segundo.

  — Você escondeu muito bem a sua verdadeira natureza, n?o é? Fez todos acreditarem nas suas mentiras. Mas eu sei o que você é... Você n?o passa de um híbrido insignificante.

  A express?o do líder se contorceu. Pela primeira vez, sua máscara de superioridade apresentou rachaduras.

  — Você está certo... — Ele murmurou, sua voz carregada de veneno. — Humanos s?o seres repugnantes. Eu jamais deveria me igualar a um deles.

  — Você deve estar se perguntando por que escolhi os humanos, n?o é?

  Samuel continuou em silêncio, observando cada movimento do inimigo.

  — A resposta é simples. Eles s?o fáceis de manipular, fáceis de escravizar... e ainda mais fáceis de matar.

  Uma aura negra come?ou a emanar do líder. Ele ergueu as m?os, e uma energia sombria pulsou em seus dedos.

  — Você n?o pode lutar contra o dono do jogo. Você n?o pode me parar. Ninguém pode. — Sua voz ecoou como um trov?o pelo Palácio. — Porque eu te conhe?o, Samuel.

  Ele sorriu, se preparando para liberar um ataque devastador.

  — Eu sou Lykaios, aquele que governa o mundo inteiro.

  De repente, um som cortante de um disparo ecoou pelo sal?o.

  Por um instante, o tempo pareceu parar.

  Uma bala parou instantaneamente na frente do líder e se despeda?ou em segundos

  — Balas? Acha que n?o sou capaz de superá-lo sem usar seus poderes?

  Do outro lado do sal?o, Samuel permanecia parado, segurando uma arma dos ca?adores ainda fumegante.

  — Você vai morrer pela mesma arma que matou milhares de vidas inocentes. — Diz Samuel.

  — O seu jogo acaba aqui. — Diz Samuel.

  A sala do trono parecia respirar, as sombras se contorcendo ao redor do líder dos ca?adores. O ar estava pesado, como se a própria realidade estivesse se dobrando ao redor daquela presen?a. No centro do sal?o, Samuel permaneceu imóvel, seu olhar frio fixo no inimigo.

  O líder se ergueu lentamente do trono, os olhos brilhando em um tom vívido, quase hipnótico.

  — Você n?o faz ideia do que está enfrentando. — Sua voz era calma, mas carregada de um poder implacável. — Já vi muitos como você… todos acabaram se ajoelhando antes do fim.

  Samuel n?o respondeu. Apenas apertou a arma em suas m?os, sentindo o peso metálico contra os dedos.

  O líder suspirou, um sorriso cínico surgindo em seus lábios.

  — Muito bem. Vamos acabar com isso.

  A sala inteira tremeu.

  Num instante, Samuel sentiu sua mente ser invadida por uma for?a esmagadora. O ar vibrou, e vis?es distorcidas surgiram diante de seus olhos: memórias que n?o eram suas, gritos de dor, rostos conhecidos manchados de sangue. Alex, caído. O Alfa, dilacerado. A alcatéia inteira, reduzida a nada.

  A cena era t?o vívida que qualquer outro teria hesitado.

  Mas Samuel apenas avan?ou.

  Com um único disparo.

  A bala cortou o ar, indo direto em dire??o ao líder. Mas, antes de atingi-lo, a trajetória da bala se distorceu no último instante, dobrando-se como se tivesse batido em uma parede invisível.

  O líder sorriu.

  — Você vai precisar de mais do que isso.

  E ent?o, com um gesto sutil de sua m?o, Samuel foi arremessado para trás com uma for?a invisível. Seu corpo atingiu a parede com um impacto brutal, rachando a pedra. Antes que pudesse se mover, o líder levantou a outra m?o, e Samuel sentiu o ch?o sob ele se erguer e desmoronar ao mesmo tempo, como se o próprio espa?o estivesse colapsando ao seu redor.

  Mas ele n?o hesitou.

  Girou no ar e caiu em pé, deslizando pelo ch?o destruído. Em um movimento rápido, disparou novamente — desta vez três vezes.

  Os projéteis foram desviados no último segundo, mas Samuel já esperava por isso.

  Ele avan?ou.

  Dessa vez, o líder moveu os dedos, e uma for?a invisível atingiu Samuel no peito, levantando-o no ar. Seu corpo foi esmagado contra o teto, depois lan?ado contra o ch?o, depois para o lado, como se fosse uma marionete nas m?os do ca?ador.

  O impacto teria sido letal para qualquer outro. Mas Samuel se levantou, ileso.

  — Alfa… — Sua voz ecoou apenas em sua mente, mas sentia como se fosse real. — Você foi o primeiro a acreditar em mim, o primeiro a ver algo além do vazio que eu carregava. Se este mundo ainda tem esperan?a, é porque você me fez enxergar o caminho. Obrigado… por ter me guiado até aqui.

  O líder franziu o cenho.

  — Hah… Você realmente n?o sente nada, n?o é?

  O ar ficou pesado.

  Dessa vez, Samuel sentiu algo diferente. N?o era apenas for?a física ou press?o telecinética — era algo mais profundo. Uma tempestade invisível surgiu ao seu redor, o tempo parecendo se desfazer por um breve segundo.

  E ent?o, sem aviso, o próprio espa?o se dobrou.

  Samuel foi for?ado a ver… tudo.

  A batalha já vencida. Seu próprio corpo caído no ch?o. Alex e os outros mortos. A escurid?o cobrindo o mundo.

  O líder estava alterando a percep??o da realidade.

  Mas Samuel n?o se importou.

  Recarregou sua arma, apertou ela em suas m?os, se concentrou, e disparou contra o próprio reflexo distorcido da ilus?o.

  O tiro perfurou o ar, estilha?ando a distor??o da realidade ao redor dele.

  — Kuwabara, Lumaris…— A batalha seguia, mas sua mente alcan?ava aqueles que se tornaram sua família. — Eu n?o acreditava que um lar fosse possível para alguém como eu. Mas vocês… provaram o contrário. Cuidem do Alex, n?o apenas como um guerreiro, mas como alguém que merece conhecer o mundo além da guerra. E Kuwabara… n?o deixe que ele se perca na dor. Ensine-o a viver.

  O líder arregalou os olhos.

  E ent?o, Samuel já estava sobre ele.

  Com um movimento rápido, girou a arma e golpeou o líder com o cabo metálico, atingindo-o na têmpora. O impacto fez o ca?ador cambalear para trás, mas antes que pudesse recuperar o controle, Samuel o acertou no est?mago com uma for?a brutal.

  O líder grunhiu e recuou, os olhos brilhando em fúria.

  — Ent?o você n?o vai cair t?o fácil.

  Com um movimento abrupto, ergueu as duas m?os e, dessa vez, Samuel sentiu seu corpo inteiro ser puxado para cima. Ele foi jogado contra o teto com uma for?a absurda, e logo depois arremessado ao ch?o com o dobro da intensidade.

  O impacto destruiu a pedra sob ele.

  Mas ainda assim…

  Ele se levantou.

  — Anne, Sam…— Um breve momento de silêncio. — Eu vi vocês se tornarem mais fortes. Vi coragem nos seus olhos quando tudo parecia perdido. Continuem… continuem a proteger aqueles que n?o podem lutar. E nunca esque?am o que nos trouxe até aqui.

  A respira??o do líder estava pesada. Ele estava come?ando a entender.

  Samuel n?o podia ser parado com ilus?es. N?o podia ser manipulado com dor.

  E ent?o, a sala inteira mudou.

  O ch?o desapareceu sob seus pés. O ar se tornou líquido, sufocante. Samuel sentiu como se estivesse sendo arrastado para um vácuo sem fim. Seu corpo se dissolvendo na escurid?o.

  — N?o adianta. — A voz do líder ecoou, vindo de todas as dire??es. — Você está em um espa?o onde minha mente reina.

  Samuel girou a arma nas m?os e atirou contra si mesmo.

  O tiro quebrou a ilus?o em mil peda?os.

  O mundo voltou ao normal.

  E Samuel estava a poucos passos do líder, ele caminhava lentamente até ele, sem se defender de nada.

  — Alex…

  Sua mente alcan?ou o pequeno lobo.

  — Eu nunca soube o que era ter alguém para proteger, até você aparecer. Você trouxe luz para um cora??o que já tinha esquecido como sentir. Meu filhote… eu sempre estarei com você. Mas agora, precisa seguir seu caminho. Nunca se perca… e nunca duvide do quanto eu te amo.

  Antes que o inimigo pudesse reagir, Samuel avan?ou.

  Dessa vez, n?o havia truques psíquicos que pudessem salvá-lo.

  O primeiro golpe foi um disparo na perna, for?ando o líder a cair de joelhos.

  O segundo foi um chute brutal no rosto, lan?ando-o para trás.

  O terceiro foi o fim.

  Samuel se aproximou, a arma pressionada contra a testa do inimigo.

  O líder ofegou, sangue escorrendo pelo rosto.

  Samuel olhou para ele sem nenhuma emo??o.

  — Isso é por eles.

  E puxou o gatilho.

  O corpo do líder come?ou a se despeda?ar, fragmentos de sombra e pó se elevando no ar até n?o restar mais nada.

  O silêncio dominou o sal?o.

  E ent?o, Samuel sentiu.

  Algo mudou ao seu redor. Uma leveza tomou conta do ar, como se uma sombra invisível que pairava sobre aquele mundo tivesse finalmente se dissipado. O esquecimento... havia desaparecido.

  Lá fora, ca?adores e lobos sentiram a mudan?a. Um sopro de esperan?a percorreu cada um deles.

  A guerra realmente havia terminado.

  Mas para ele, aquela era uma despedida.

  Uma luz brilhante surgiu diante dele, suave, acolhedora, como se o próprio destino o chamasse.

  — Seu trabalho aqui terminou. A esperan?a pode reacender novamente neste mundo.

  Samuel permaneceu em silêncio. Seu olhar fixo na luz, sentindo o peso do que estava por vir.

  — Está na hora de partir. Ainda há muitos outros mundos que precisam da esperan?a e da luz novamente.

  Um portal surgiu à sua frente — o mesmo que o trouxe para este mundo.

  Ele hesitou.

  Seu cora??o apertou ao pensar em Alex, na família que construiu, nas batalhas que travou. Ele queria ficar. Queria correr até seu filhote, segurá-lo em seus bra?os, dizer que tudo ficaria bem... que sempre estaria ao seu lado.

  Mas ele sabia.

  Sabia que seu tempo ali havia acabado.

  Lágrimas silenciosas escorreram por seu rosto. N?o de fraqueza, mas de amor. De um vínculo que nunca se quebraria.

  "Eu sempre vou estar com você, meu lobinho..."

  Com um último suspiro, ele enxugou os olhos, ergueu a cabe?a e deu um passo à frente, atravessando o portal que o aguardava. Seu cora??o estava apertado, mas sua alma, tranquila.

  A guerra havia terminado.

  Mas sua jornada...

  Estava apenas come?ando.

  O esquecimento ainda tentaria consumir tudo, apagar a esperan?a de cada ser vivo. Mas enquanto houvesse alguém disposto a lutar contra ele, a luz jamais se apagaria.

  E esse alguém se chamava…

  Samuel, o Herói dos Esquecidos.

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